terça-feira, 13 de abril de 2010

Cinemascópio: Ciclo Nos Quatro Cantos de Mim - Próxima 6ª feira, 16 de Abril: Taxi Driver, de Martin Scorsese




Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Nos Quatro Cantos de Mim

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 16 Abril.2010 - 22H00

Maria Vai com as Outras

Rua de Almada, nº443

Porto

ENTRADA LIVRE

Taxi Driver

Taxi Driver

Realizador: Martin Scorsese

Com: Robert De Niro, Jodie Foster, Albert Brooks, Harvey Keitel, Leonard Harris, Peter Boyle, Cybill Shepherd, Diahnne Abbott, Frank Adu, Gino Ardito, Victor Argo, Garth Avery

Duração: 109 min.

Idade: M/12

Género: Drama

País de Origem: EUA

Ano: 1976, Cor

SINOPSE

Este filme de Martin Scorcese é, sem dúvida, um dos mais aclamados da história do cinema. A acção decorre a altas horas da noite nas ruas de Nova Iorque. Um veterano da guerra do Vietname conduz um táxi e torna-se num homem solitário, cheio de frustrações e que estabelece uma relação com uma prostituta de catorze anos. A vida sórdida que testemunha, levam-no a actuar de forma violenta...

http://www.cineteka.com/index.php?op=Movie&id=010397

“Taxi Driver realizado por Martin Scorsese em 1976, é na minha opinião um marco na história do cinema mundial. Travis Bickle (Robert DeNiro) após ter regressado da guerra do Vietname, arranja emprego como taxista de Nova Iorque, cidade que espelha o reflexo da podridão latente numa sociedade heterogénea, desligada e governada por violência e negócios corruptos nas noites escuras, frias e degradadas.
Este filme retrata um estudo convincente e alarmando pela natureza do Vietname que se encontra viva na memória de Travis. Através do panorama que as noites e a sua rotina lhe apresenta vai-se revoltando cada vez mais com o lado degradante de uma cidade das maiores potências mundiais.
Ao longo do filme é intencional a visão crítica de Scorsese e o modo como uma sensação de aperto é transmitida aos espectadores através do protagonista - um veterano que esteve no Vietname a defender algo que acreditava e que após rotinas diárias se ia evaporizando com os sinais claros de uma America quase dissipada pelo vício, violência e prostituição.
A paciência de um homem tem limites e quando a fragilidade humana ultrapassa qualquer tipo de compreensão e tolerância, o ser humano encontra-se prestes a explodir. Esta detonação começa-se a desenhar ao longo do filme, preparando o espectador para um final de acção verdadeiramente intenso. Acompanhado por uma mudança radical de visual, Travis atinge os seus limites esgotando a sua fúria em momentos que até hoje retratam um dos finais mais marcantes da história do cinema de acção.

Taxi Driver não é, contudo, um filme fácil de digerir. A sua brutalidade visual expressa uma realidade perturbadora e por vezes incompreensível, complementado por diversas sequências de planos que permitem uma profundidade ampla no que respeita à sua contemplação visual. Neste filme, assistimos à consagração de um dos melhores actores da actualidade (apesar de ultimamente ter andado "perdido" em filme de géneros bem diferentes...) e ao nascimento de uma grande actriz a desempenhar o papel de uma prostituta.. Jodie Foster (na altura com 14 anos)!
Cru, intenso, brutal.. Taxi Driver foi, é e continuará a ser um verdadeiro ícone na história do cinema mundial!”

http://cinesphere.blogs.sapo.pt/arquivo/982111.html

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cinemascópio: Ciclo Nos Quatro Cantos de Mim – Hoje, 6ª feira: Cyrano de Bergerac, de Jean-Paul Rappeneau

Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Nos Quatro Cantos de Mim

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 09 Abril.2010 - 22H00

Cyrano de Bergerac







Contamos com a vossa presença hoje à noite, apareçam!

Próxima sessão, dia 16 Abril 10: Taxi Driver, de Martin Scorsese

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cinemascópio: Ciclo Nos Quatro Cantos de Mim - Próxima 6ª feira, 09 de Abril: Cyrano de Bergerac, de Jean-Paul Rappeneau



Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Nos Quatro Cantos de Mim

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 09 Abril.2010 - 22H00


Maria Vai com as Outras
Rua de Almada, nº443
Porto

ENTRADA LIVRE

Cyrano de Bergerac
Cyrano de Bergerac

Realizador:
Jean-Paul Rappenau

Com: Gerard Depardieu, Anne Brochet , Vincent Perez , Jacques Weber, Roland Bertin

Duração: 135 min.
Idade: M/12
Género: Drama , Romance
País de Origem: França
Ano: 1990, Cor

SINOPSE

Cyrano ama desde a infância a sua prima Roxanne, mas nunca teve a coragem de lhe declarar essa paixão. Ele julga-se desfigurado, devido ao seu longo nariz, e admite nunca poder vir a ser amado por uma mulher. Pelo seu lado, Roxanne, que nutre por Cyrano uma enorme simpatia, tem como ideal de homem a beleza e o espírito. Ao conhecer Christian, Roxanne apaixona-se por ele, mas este é tímido e não consegue manter uma relação normal com uma mulher. É então que Cyrano ajuda Christian, escrevendo-lhe longas e belas cartas de amor que vão tornar ainda maior a paixão de Roxanne por Christian. Só que Christian não vai aguentar por muito tempo esta situação e Roxanne vai então descobrir o autor de tão belas cartas de amor...

http://www.mooxuu.com/films/detail/13428/


“Continuando o périplo pessoal pelos cinco filmes que considero como "os filmes da minha vida", e depois de já ter opinado sobre "Drácula de Bram Stocker", eis que me proponho fazê-lo agora sobre este fenomenal filme de Jean-Paul Rappeneau: "Cyrano de Bergerac". Realizado em 1990, "Cyrano de Bergerac" é uma adaptação da peça de Edmond Rostand (1868-1918), dramaturgo e poeta francês, que levou a peça pela primeira vez à cena em 1897 no teatro de la Porte-Saint-Martin em Paris. Edmond Rostand criou esta peça inspirando-se em Savinien Cyrano de Bergerac, nascido em 1619 em Perigod. Conhecido pela sua agressividade, arrogância, fanfarronice e valentia, ficou igualmente famoso pelo comprimento anormal do seu nariz que, como ele próprio afirmava "é uma península". Já depois de ter saído do exército, onde é ferido em combate no cerco de Arras, Cyrano dedica-se às ciências e à literatura. Escreve tragédias, comédias e romances. Orgulhoso, eloquente, livre pensador, era respeitado pela sua elevada inteligência e pelo seu gosto por duelos, a maioria dos quais devido a insultos proferidos ao seu desmesurado nariz. Da obra que deixou, salientam-se duas delas em prosa onde descreve viagens à Lua e ao Sol, ambas publicadas postumamente e que lhe trouxeram fama de visionário, um género de antecessor de Júlio Verne. Por tudo isso, já se pode ver que Cyrano foi uma figura de relevo na cultura francesa e a peça de Rostand serviu para o dar a conhecer ao mundo, tornando o seu nome imortal. Sobre o filme: Antes de focar seja o que for, saliento o facto de o filme ser todo em poesia, ou seja, a estrutura dos diálogos e dos monólogos são construídos em verso, é simplesmente uma poema gigantesco, todo ele meticulosamente construído, onde vão desfilando os personagens e os acontecimentos. Sec. XVIII, Cyrano de Bergerac, poeta e soldado, respeitado por todos e idolatrado por alguns, é um homem triste que disfarça esse sentimento escondendo-se debaixo de uma capa de arrogância, prepotência e valentia. Amando desde a infância a sua prima Roxane, Cyrano não tem coragem para lhe transmitir esse sentimento, essa paixão, devido ao facto de se sentir feio, monstruoso, por causa do seu longo nariz, admitindo também que jamais nenhuma mulher o amará. Por seu lado, Roxane desconhece esse cândido sentimento por parte do seu primo e acaba por se apaixonar pelo jovem Christian de Neuvillette, jovem cadete da mesma companhia de Cyrano, que, ao contrário de Cyrano, era esteticamente perfeito mas tinha uma alma de pedra. Desgostoso e decepcionado, Cyrano acaba por jurar a Roxane interceder por ela junto de Christian e é a cumprir este juramento que Cyrano tem a ideía de ser ele a escrever as cartas de amor em nome de Neuvillette, cartas onde Cyrano, usando a face de outro, expressa todo o amor que lhe vai na alma. Este filme que, recordo, é uma adaptação de uma peça do final do séc. XIX, tem, quanto a mim, uma importante mensagem que, para além de pretender atacar de uma forma mordaz a sociedade da altura e, afirmo eu, ainda tão actual em qualquer sociedade contemporânea, tem também a capacidade de enviar um sinal de esperança. Cyrano é um homem feio. Realmente o seu desproporcional nariz transfigura-lhe a cara. No oposto, surge-nos Christian de Neuvillette que tem tudo o que um galã-parte-corações pode ter: é bonito, charmoso, veste-se bem, é delicado, etc. Aparentemente ninguém pensaria duas vezes na escolha a fazer, no entanto, o feio tinha uma alma bela, sedutora, rica, e apaixonada, enquanto o bonito, não tinha a mínima sensibilidade para entender o coração feminino, não sabia dizer a mínima palavra sobre o amor. No filme essa questão é constantemente sublinhada. A beleza exterior de Christian seduzia Roxane, mas era a alma e a inteligência de Cyrano que emanava das cartas que ela amava. Algo que também nos é transmitido, é o facto de todos nós nos considerarmos, de uma forma ou de outra, imperfeitos, até mesmo inaceitáveis, um género de patinho feio. No entanto, e é belo verificá-lo no filme, que em qualquer patinho feio existe sempre um lado de cisne pronto a despertar, todos nós temos um lado de Cyrano. Quanto às interpretações, quero apenas focar as de Gerard Depardieu (Cyrano) e de Anne Brochet (Roxane). São simplesmente fantásticos! Depardieu é credível, apaixonado, arrebatador. Um poeta que dedica a sua vida à alma amada, elevando a sua personagem ao zénite da perfeição. Anne Brochet consegue agarrar muito bem a personagem de Roxane. Ela é quente, sensual, apaixonada e sonhadora, afirmando a certa altura sobre os belos versos de Cyrano: "As palavras são raios e sinto-me encadeada". Para finalizar: Um filme que ainda me faz sonhar e meditar. Será ainda possível haver quem se apaixone apenas bela beleza exterior (sei que há)? E, por outro lado, será possível haver paixão, amor, por uma pessoa sem que lhe vejamos a aparência exterior? Será possível conquistar o coração de alguém sem lhe revelar o rosto e o que poderá acontecer quando a pessoa percebe que está apaixonada por alguém que considera fantástico, mas cuja aparência física não é aquela que ela imaginava? Não é simples responder a estas questões, mas o filmes coloca-as e não escondo que são precisamente algumas delas que mais me fazem pensar. Mais oui, c'est là, je vous le dis, Que l'on va m'envoyer faire mon paradis. Plus d'une âme que j'aime y doit être exilée, Et je retrouverai Socrate et Galilée ! Mais que diable allait-il faire, Mais que diable allait-il faire en cette galère ?... Philosophe, physicien, Rimeur, bretteur, musicien, Et voyageur aérien, Grand risposteur du tac au tac, Amant aussi -- pas pour son bien ! -- Ci-gît Hercule-Savinien De Cyrano de Bergerac Qui fut tout, et qui ne fut rien. ... Mais je m'en vais, pardon, je ne peux faire attendre Vous voyez, le rayon de lune vient me prendre ! Il est retombé assis, les pleurs de Roxane le rappellent à la réalité, il la regarde, et caressant ses voiles Je ne veux pas que vous pleuriez moins ce charmant, Ce bon, ce beau Christian ; mais je veux seulement Que lorsque le grand froid aura pris mes vertèbres, Vous donniez un sens double à ces voiles funèbres, Et que son deuil sur vous devienne un peu mon deuil. TRADUÇÃO Mas sim, é lá, que vos digo, que me vai enviar para fazer o meu paraíso. Mais de uma alma que amo devem lá estar exiladas, e reencontrarei Sócrates e Galileu! Mas que diabo ia fazer, mas que diabo ia fazer neste mar?... Filósofo, físico, Poeta, espadachim, músico e viajante aéreo, amigo de responder a desafios, amante também – não para seu bem! Aqui está Hercule-Savinien de Cyrano de Bergerac que tudo foi e não foi nada. ... Mas vou-me, perdão, não posso fazer esperar Vê-de, o raio de Lua vem buscar-me! Caíu sentado, as lágrimas de Roxane recordam-no à realidade, olha-o, e acariciando os seus véus, não quero que chorem menos este encantador , é bom, o belo Christian; mas quero apenas quando o grande frio tomar as minhas vértebras, dêem um sentido duplo a estes véus fúnebres, e que o seu leito se torne um pouco o meu leito.”

Iceman,
http://pt.livra.com/item/cyrano-de-bergerac/8984857/




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terça-feira, 6 de abril de 2010

Cinemascópio: Novo Ciclo Temático em Abril 2010: Nos Quatro Cantos de Mim





Caros Amigos,

Na próxima 6ª feira, dia 9 de Abril, o Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos inicia um novo Ciclo, Nos Quatro Cantos de Mim.

Será então esta a programação para o mês de Abril de 2010:

Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Nos Quatro Cantos de Mim

Abril 2010

ENTRADA LIVRE


1º- Cyrano de Bergerac, de Jean-Paul Rappeneau (09/04)

2º - Taxi Driver, de Martin Scorsese (16/04)

3º - O Leitor, de Stephen Daldry (23/04)

4º - Apocalypse Now, de Francis Ford Copolla (30/04)


No

Maria Vai Com as Outras
Rua do Almada, nº 443 Porto

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Próxima sessão, dia 09 Abril 2010: Cyrano de Bergerac, de Jean-Paul Rappeneau


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sexta-feira, 26 de março de 2010

Cinemascópio: Ciclo Adeus às Armas – Hoje, 6ª feira: Um Longo Domingo de Noivado, de Jean-Pierre Jeunet

Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Adeus às Armas

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 26 Março.2010 - 22H00

Um Longo Domingo de Noivado




Contamos com a vossa presença hoje à noite, apareçam!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cinemascópio: Ciclo Adeus às Armas - Próxima 6ª feira, 26 de Março: Um Longo Domingo de Noivado, de Jean-Pierre Jeunet




Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Adeus às Armas


SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 26 Março.2010 - 22H00

Maria Vai com as Outras

Rua de Almada, nº443
Porto

ENTRADA LIVRE

Um Longo Domingo de Noivado

Un Long Dimanche de Fiançailles

Realizador: Jean-Pierre Jeunet

Com: Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Jean-Pierre Becker, Dominique Bettenfeld, Clóvis Cornillac, Jean-Pierre Darroussin, Jodie Foster, Julie Depardieu, Jean-Claude Dreyfus, Andreé Dussolier, Ticky Holgado, Tcheky Kario, Jerome Kircher, Denis Lavant, Chantal Neuwirth, Dominique Pinon, Marion Cotillard, Jean-Paul Rouve, Miche Vuillermoz

Duração: 124 min.
Idade: M/16
Género: Drama
País de Origem: França
Ano: 2004, Cor

SINOPSE

Jean-Pierre Jeunet volta a trabalhar com Audrey Tautou depois de "O Fabuloso Destino de Amélie". Audrey é Mathilde, uma jovem que no final da Primeira Guerra Mundial, recusa aceitar que o seu noivo morreu. Mathilde é informada que Manech morreu no campo de batalha, mas acaba por descobrir que ele fazia parte de um grupo de cinco soldados que foram condenados à morte, por um tribunal marcial, por se terem auto-mutilado para fingir ferimentos de forma a escaparem à guerra. Mas Mathilde não acredita que Manech esteja morto; se assim fosse, ela sentiria essa perda. Resolve então partir numa busca desesperada para descobrir o que realmente aconteceu a Manech.

http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=120723


“Amor em tempo de Guerra
"Je vois comprende...!"


Foi com alguma hesitação que decidi ver o novo filme de Jeunet. Se por um lado a crítica em geral tinha apontado por diversas vezes o seu desiquilíbrio no argumento, por outro era do mesmo realizador, e com a mesma protagonista, que nos trouxeram aquele que é o meu filme francês de eleição. Refiro-me concretamente a Le Fabuleux Destin d`Amélie Poulain. Desta vez, a dupla aventurou-se numa fábula passada aquando da ocorrência da primeira Guerra Mundial, e adaptada de um livro. Esse era outro ponto pelo qual temia ver o filme. A genialidade do filme anterior do realizador provinha, em parte, do seu argumento original, pois os acontecimentos ocorriam de forma espontânea e natural, o que não queria dizer que a adaptação de um livro tirasse esse mérito ao realizador, pelo contrário, tenho bastante confiança em Jeunet. Mas todos sabemos como são as adaptações literárias...

Para nos introduzir na história, Jeunet utiliza uma técnica semelhante ao seu anterior filme. Utiliza um narrador que avança pormenores sobre a personalidade de cada personagem envolvida na história e também uma realização excepcional. Esse é talvez o maior trunfo que Jeunet utiliza para criar as suas fábulas cheias de encanto, e a sua "arma" para nos prender a elas. Mas desta feita, o realizador francês propôs-se a contar algo mais sério, não pretendo criar gargalhadas na maior parte da duração do filme, como acontecia em Amélie. É notável uma adaptação de estilo de um filme para o outro, nunca nenhum deles perdendo a credibilidade ou se afastando do que é pretendido. A substância está lá toda, a arte de contar a história também.

Em parte, a maioria da crítica tinha razão; o argumento sofre de um desiquilíbrio, que é o excesso de personagens envolvidas na história. É bem provável que a excessiva quantidade de elementos intervenientes na história funcione em livro. Todavia, nota-se essa fragilidade no argumento, que hesita em explorar as personagens mais secundárias, uma vez que estas existem em demasia. No entanto, é essa a única fragilidade proveniente do mesmo. Argumento esse, adaptado por Jeunet, que embora não seja algo de extraordinário, é sóbrio e consegue manter ao longo do filme a sua visão despretenciosa e deliciosa, criando uma narrativa sem grandes quebras.

Mas, sejamos sinceros, o filme safa-se mais é pelo seu arrojo visual. Uma direcção de fotografia magnífica que se encarrega do contraste entra a pacata povoação de Mathilde, personagem interpretada por Audrey Tautou, onde o sol brilha moderadamente, e onde constatamos sempre uma luminosidade alaranjada, demonstrando um misto de alegria e medo; o cenário de devastação da Guerra, cinzento e frio, lembrando a morte e o sacríficio, e ainda umas curtas referências ao film-noir. Com uma direcção artística prodigiosa, uma realização fantástica, uma fotografia magnífica e interpretações espantosas, Un Long Dimanche de Fiançailles é um filme maravilhoso, uma pérola do cinema francês. E se o argumento tem as suas arestas por polir, o filme é ainda assim muito simpático, revelando talentos como Gaspard Ulliel, e reafirmando outros como Audrey Tautou e Jean-Pierre Jeunet.

E cá para mim, Audrey Tautou será sempre Amélie Poulain.”

Miguel Baptista
http://miguel12.blog-city.com, http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=4577



“Um Longo Domingo de Jeunet

Ontem fui ver o filme francês Um Longo Domingo de Noivado de Jean Pierre Jeunet e com Audrey Tautou. E a frase que retiro assim de repente do filme é a seguinte:

«Cão que se peida, alegria na casa»

Não é que o filme seja mau. É o inverso, na verdade. É bom, agradável e tipíco de Jeunet. Nota-se os seus pormenores ao longo dos planos e do próprio enredo. Para além de haver alguns actores, para além a Audrey, que também estiveram no fantástico Amélie.

Impossível de deixar de reparar é também as várias vezes que Mathilde (Audrey Tautou) faz pequenas apostas consigo mesmo, em que, caso se concretizem, isso significará que o seu noivo está vivo.
Do tipo: Mathilde diz para si mesma que, caso chegue primeiro que o carro que leva o noivo a uma curva, ele irá regressar vivo.
Uma pequena forma de estar poucas vezes, ou mesmo nunca, retratada de forma tão extraordinariamente sublime no cinema. São as pequenas coisas. Os pequenos gestos, que estão por trás de grandes sonhos e grandes expectativas que fazem do ser humano um sonhador. Jeunet, embora num filme com uma história diferente, volta a maravilhar.”

JT, http://magacine.blogspot.com/2005/02/um-longo-domingo-de-jeunet.html


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quinta-feira, 18 de março de 2010

Cinemascópio: Ciclo Adeus às Armas - Amanhã, 6ª feira: Duck Soup, de Leo McCarey






Contamos com a vossa presença, amanhã à noite!
Apareçam!

Próxima sessão, dia 26 Março 10: Um Longo Domingo de Noivado, de Jean-Pierre Jeunet

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quarta-feira, 17 de março de 2010

Cinemascópio: Ciclo Adeus às Armas - Próxima 6ª feira, 19 de Março: Duck Soup, de Leo McCarey



Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Adeus às Armas


SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 19 Março.2010 - 22H00

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Porto

ENTRADA LIVRE

Os Grandes Aldrabões
Duck Soup

Realizador: Leo McCarey

Com: Groucho Marx, Chico Marx, Zeppo Marx, Margaret Dumont, Harpo Marx, Raquel Torres, Louis Calhern, Edmund Breese, Leonid Kinskey, Charles Middleton, Edgar Kennedy

Duração: 68 min.
Idade: M/12
Género: Comédia
País de Origem: EUA
Ano: 1933, P/B

SINOPSE

A arte do burlesco levada aos limites do absurdo na mais delirante incursão dos Irmãos Marx no cinema, que é também uma das mais virulentas sátiras à política do seu tempo (o começo da década de 30 do século passado), com a incursão na guerra de um pequeno país onde os Marx governam. O pesadelo de Kropotkine para a anarquia como forma de governo.

http://cinema.sapo.pt/filme/duck-soup/detalhes



“Grandiosos momentos históricos de galhofa: Duck Soup, dos Irmãos Marx

O filme chama-se Duck Soup e foi feito por Leo McCarey em 1933, o que ainda torna tudo mais fabuloso. Os Irmãos Marx, mais criativos que nunca, faziam assim o seu próprio filme de guerra, com Groucho a fazer o papel de Rufus T. Firefly, malandrim feito ditador demente do pequeno estado de Freedonia. A acção não pára um segundo (…), completa com gags físicos, trocadilhos inspirados e efeitos especiais dignos de desenho animado. Até à altura, nada disto tinha sido tentado. (…)"

Nuno Markl, http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt/102123.html?thread=3834091



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quinta-feira, 11 de março de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cinemascópio: Ciclo Adeus às Armas - Próxima 6ª feira, 12 de Março: As Bandeiras dos Nossos Pais, de Clint Eastwood




Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Adeus às Armas

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 12 Março.2010 - 22H00

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Porto

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As Bandeiras dos Nossos Pais
Flags Of Our Fathers

Realizador: Clint Eastwood

Com: Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, Jamie Bell, Paul Walker, Robert Patrick
Duração: 125 min.
Idade: M/12
Género: Drama, Guerra
País de Origem: EUA
Ano: 2006, Cor

SINOPSE

Fevereiro, 1945. A guerra na Europa estava ganha, mas no Pacífico continuava acesa. Uma das mais sangrentas batalhas foi a luta pela ilha de Iwo Jima, traduzida por uma das mais icónicas imagens da História: o momento em que cinco "marines" erguem a bandeira dos EUA no monte Suribachi. Esta é a história desses soldados. Essa fotografia tornou-se num símbolo da vitória e transformou esses homens em heróis. Alguns morreriam pouco depois, sem saber que a História os imortalizaria. Mas para aqueles que ficaram, o heroísmo não era a sua maior preocupação, mas sim os companheiros que não tinham sobrevivido. "As Bandeiras dos Nossos Pais", último filme de Clint Eastwood, é baseado no "best-seller" de James Bradley e Ron Powers sobre a batalha de Iwo Jima (o pai de Bradley é um dos soldados que segurava a bandeira).

http://cinecartaz.publico.clix.pt

“ As Bandeiras dos Nossos Pais
Imortalizados vivos

E ao quinto dia, cinco "marines" e um enfermeiro da Marinha colocaram a bandeira americana no cimo do Suribachi, o monte que domina o pedaço de rocha e areia cinzentas a que os japoneses chamam Iwo Jima. Ainda iriam passar 35 dias - e milhares de corpos semeados pelas praias - para a conquista dessa terra vulcânica, mas uma fotografia tirada pelo fotógrafo Joe Rosenthal fez "o momento". E contra isso foi impossível medir forças.
Não interessava que os factos tivessem uma dimensão diferente da lenda - afinal, James "Doc" Bradley, Rene Gagnon, Ira Hayes, Franklin Sousley, Harlon Block e Mike Strand tinham sido o segundo grupo a hastear uma bandeira americana (um caprichoso general obrigou a uma troca; qual troféu pessoal, quis a primeira que tinha sido colocada...), tiveram "apenas" a sorte, ou o infortúnio, de terem ali um fotógrafo; e afinal, esse nem foi o momento de conquista, foram precisos mais 35 dias de inferno, que até mataram Franklin, Harlon e Mike.
A fotografia, contudo, estava para além dessas contingências da realidade. E James "Doc" Bradley, Rene Gagnon e Ira Hayes, os sobreviventes, foram alistados no mito para o resto das suas existências. Chegaram a ser convocados para aparecerem ao lado de John Wayne em "Sands of Iwo Jima" (Allan Dwan, 1949). Wayne era aquele que dizia sobre todas as coisas: "Se não é tudo a preto e branco, eu pergunto: "Porque diabo é que não é?"". Contra essas certezas, podia opor-se o que disse um dos "heróis" forçados: "Every jackass thinks he knows what war is". Qualquer tradução deverá significar sempre o mesmo: as razões de estado a esmagarem as razões individuais, a culpa pelos que morreram ou ficaram para trás, um fardo. Insuportável.
Um livro, "As Bandeiras dos Nossos Pais", escrito por James Bradley (filho de "Doc"), contou essa história em 2000. Um filme, "As Bandeiras dos Nossos Pais", de Clint Eastwood, com argumento de William Boyles Jr. e Paul Haggis, conta agora essa história.
O livro (editado em Portugal pela Magnólia - já agora: a tradução, aqui, é um automatismo; a revisão de texto inexistente) se fosse ele próprio o filme seria um pedaço de cinema clássico: narrativa linear, do passado até ao presente, e a tomada de conhecimento por um filho - o autor - da figura do pai. Sem alaridos, por pudor ou por não ter unhas para se aventurar pela vertigem do romanesco e da auto-consciência criativa, o escritor olha não como mestre da sua história, mas como repórter das histórias dos outros, figuras talhadas de um gesto na rocha. James "Doc" Bradley, o último desses "heróis" a morrer, esteve vivo até 1994 e rematava sempre os seus silêncios perante os filhos inquiridores com um: "É tão simples quanto isso".
O livro, para resumir, é assim. O filme é outra coisa, para, no fundo, até lhe ser fiel - ao livro.
Eastwood, com o trabalho de Boyles Jr./Haggis, troca as voltas, anda para a frente e para trás em três tempos: as cenas de batalha em Iwo Jima, a "tournée" dos heróis pela América a angariar fundos para o esforço de guerra e a actualidade. Atrasa até onde pode a figuração do "momento" - a fotografia no Suribachi -, e antes da guerra dá-nos primeiro o simulacro, com os três soldados (interpretados por Ryan Philippe, Jesse Bradford e Adam Beach) a subirem para cima do cume de Iwo Jima em "papier maché", num estádio a abarrotar, durante a "tournée" circense que percorreu a América.
Apodera-se, assim, de uma disposição reflexiva, cria interrupções, veda-nos acessos, constrói-se à volta de um vazio central, trabalha sobre um tempo sempre interrompido. A comparação que a revista Sight and Sound fez com o "Mundo a Seus Pés" de Orson Welles, esse "fantasma no festim do cinema clássico", como lhe chama, onde sucessivos portões e cortinas escondiam a Xanadu de "citizen" Kane ou rodeavam a revelação de um segredo, o tal, Rosebud, é, mesmo se exagerada, reveladora do que por aqui se tenta (e é todo um programa pensar também em Eastwood, a quem chamam o "último dos clássicos", como um "fantasma"...).
Compreende-se, pois, o gesto, a construção em "puzzle": para fazer de Bradley, Gagnon e Hayes figuras que o mito atirou para uma condição espectral, para uma morte em vida, corroídos pela sensação de impostura, a quem foi roubado o espaço e o tempo. "As Bandeiras dos Nossos Pais" integra, por aí, o núcleo mais agónico da obra do realizador Eastwood, alguém que em tempos foi o "homem sem nome" do "western spaghetti" - construção mitológica, portanto - e que vem fazendo reflexões sobre o heroísmo, atirando ao alvo e não raras vezes oferecendo o corpo à destruição (dessa pulsão terminal, o William Munny de "Imperdoável", filme de 1992, é uma das encarnações mais perfeitas, e pensa-se em "Imperdoável" em momentos de "As Bandeiras dos Nossos Pais").
No "puzzle" que monta Clint também explicita a passagem de testemunho entre gerações, a dos pais e a dos filhos. É um dos seus "temas" - recorde-se "As Pontes de Madison County" (1995). Mas tal como nesse filme também aqui isso é mais sublinhado do que integrado. Por esta peça do "puzzle", pelos obstáculos criados - é difícil sentir entre a actualidade e o passado o fluxo de uma existência -, o "puzzle" fala mais do que toca. Mas há personagem a guardar: Ira Hayes, índio e herói, dois fardos demasiado pesados para um homem só, e ele não aguentou... É uma figura do calvário e no seu abandono lembra-nos tanto o Forest Whitaker de "Bird", filme de 1988...
Compreende-se o gesto, dizíamos: é para escavar em profundidade a História enterrada - por aí o filme é a consciência clarividente do livro. Algures a meio da preparação de "As Bandeiras dos Nossos Pais", e nessa vontade de partir em direcção às profundezas, Eastwood decidiu olhar para este episódio da II Guerra Mundial através dos olhos do "outro": os japoneses. Ir mais além só podia ser ir mesmo de encontro aos mortos que vivem na memória das rochas de Iwo Jima. Mas essa é outra história, e essa obra-prima, "Cartas de Iwo Jima", é coisa tão crepuscular que já não é filme de guerra, é pura história de fantasmas (estreia a 22 de Fevereiro).
É, portanto, a mesma história."

Vasco Câmara (PÚBLICO), http://cinecartaz.publico.clix.pt/criticas.asp?id=165012&Crid=3&c=4018

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