segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Cinemascópio: Ciclo Puxando os Fios da Trama - Próxima 6ªf, 24 Outubro: Scoop, de Woody Allen


Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos
Ciclo Puxando os Fios da Trama

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 24 OUTUBRO.2008 - 21H45

A Cadeira de Van Gogh - Associação Cultural
Rua de Morgado de Mateus, nº41
4000-334 Porto

(TOQUEM À CAMPAINHA, PF)
ENTRADA LIVRE

Scoop
Scoop

Realizador:
Woody Allen
Com: Hugh Jackman, Scarlett Johansson, Geoff Bell, Woody Allen, Ian McShane
Duração: 96 minutos, COR
Classificação: M/12
Género: Comédia / Policial
País de Origem: EUA, Grã - Bretanha
Ano:2006

SINOPSE
"Sondra (Scarlett Johansson) é uma jovem nova-iorquina que descobre novas pistas sobre uma série de crimes, relacionados com "O Assassino da Carta de Tarot", que obcecou um jornalista britânico. A investigação de Sondra vai conduzi-la ao atraente homem de negócios Peter Lyman (Hugh Jackman), que a seduz com o seu misterioso charme. Mas será este romance o mais perigoso "furo" da sua vida?"

http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=164759

"Aqui há fantasmas

Muito se disse que Woody Allen teria, no seu filme anterior, "Match Point", operado uma mudança radical no seu universo, desde a alteração de território, deslocado de Nova Iorque para Londres, até uma mais profunda erotização de personagens e situações. O próprio cineasta declarou, numa entrevista, que passara da representação do amor psicótico e obsessivo a um amor erótico, embora marcado por desvios cuidadosamente sinalizados, com uma deslocação para estratos superiores da aristocracia inglesa.
"Scoop" vem confirmar tal tendência, sublinhando, inclusive, o interesse por uma espécie de "whodunit", "quem matou?", algures entre as irónicas memórias vitorianas de Jack o Estripador e uma elegante exploração de interiores e de paisagens, à la Agatha Christie.
E, no entanto, esta estranha história de adivinhações e de passes de mágica, constitui, em simultâneo, uma síntese das temáticas allenianas: desde o onirismo controlado das sequências em que o barqueiro da morte, ecoando Ingmar Bergman, uma das grandes referências do realizador novaiorquino, conduz as suas vítimas, até ao modo como se trabalha o irrisório dos diálogos, insistindo na repetição de "gags", sobretudo verbais, com algumas das réplicas máximas da obra do cineasta.
A história é muito simples, quase esquemática: um jornalista (Ian McShane) morre e no caminho para o outro lado do rio do esquecimento encontra a secretária de um aristocrata (Hugh Jackman) que lhe revela suspeitar ter sido assassinada por este, por o ter conectado com um caso de assassínios em massa de prostitutas jovens, morenas e de cabelo curto. Desejando conseguir o seu último furo, o jornalista "aparece" a uma jovem aspirante a jornalista (Scarlett Johansson, perfeita na figura de uma adolescente americana deslumbrada), durante a sessão de um mágico cabotino (Woody Allen, ele-próprio, claro), que faz desaparecer pessoas e acaba por confrontar-se com o movimento contrário, a reencarnação dos mortos para informar sobre os vivos.
Depois, tudo se precipita, sem quaisquer novidades nem surpresas, requintando apenas num brilhante exercício de estilo, misturando citações e pulverizando a hipótese de preponderância das regras de género: "thriller" cómico, comédia de enganos e variação absurda sobre as séries televisivas britânicas, o filme voga de peripécia em peripécia com a segurança de quem conhece as tradições que manipula e se exibe, enquanto vulnerável personagem e enquanto supremo manipulador.
Prestidigitação total. Do clássico cinema hollywoodiano, recolhe Woody Allen o motivo do filme de fantasmas, que permite o regresso à vida para alterar a acção. Do suspense "hitchcockiano" aproveita, subvertendo-o, o "timing", com citação explícita de "Difamação"/"Notorious" no uso do truque da cave, com as garrafas de vinho à vista.
Há ainda, por outro lado, uma tangente expressa a um dos últimos filmes do mestre inglês, "Frenzy" - também ele uma enésima variação sobre o mito de Jack O Estripador -, que aqui se esvazia do tom sádico e excessivo para assumir um gentil contorno de comédia sentimental: quando Scarlett Johansson se apaixona pelo sedutor aristocrata que pretende desmascarar, expõe o jogo e "imola-se", em perigoso arremedo de melodrama. E o melodrama "invade" o filme, também, por via da citação cinéfila: a sequência que parece resolver o ajuste de contas com a traição e libertar o sedutor assassino da sua "perseguidora" cita a famosa cena do lago de "Um Lugar ao Sol" de George Stevens, por sua vez um "remake" de "Uma Tragédia Americana" de Josef von Sternberg, adaptado do romance homónimo de Dreiser, a ecoar um dos momentos capitais da "Aurora" de Murnau.
Mas, e neste jogo infinito de "trompe l"oeil" consiste a genialidade de Woody Allen, nada é o que parece: "Scoop" explora pistas para melhor se superar em prestidigitação total. O filme resolve o "thriller" pela inversão do truque usado para a aproximação do par - a indefesa heroína que não sabia nadar, na capital sequência inicial da piscina, revela-se como campeã de natação - e o brilhante exercício de estilo cumpre-se no perfeito regresso à circularidade: a personagem de Allen morre no desastre e embarca na barca de Caronte, repetindo à exaustão os seus estafados truques de cartas, para os seus novos companheiros de viagem.
O que distingue "Scoop" de anteriores pequenos "thrillers", como "Manhattan Murder Mystery"? Desde logo, a amplitude da intervenção na sua "persona" de homenzinho ridículo e insignificante. Tendo já sido notado (e bem) nestas páginas a transferência de alguns dos atributos e tiques de Woody Allen para outra personagem - no caso, a de Johansson -, a presença de Allen em cena revela-se fulcral: não só comanda a acção, como desvela a forma de descodificar o simulacro. Tudo, em "Scoop", reformula o "déjà vu" numa estratégia de distanciamento de infinitas repercussões. Auto-retrato com atributos, síntese paródica do seu universo e falsa passagem de testemunho, o filme reafirma a indispensabilidade da sua inteligência crítica para se perpetuar enquanto mito de si próprio, em narcísica pose de autor.”

Mário Jorge Torres (PÚBLICO), http://cinecartaz.publico.clix.pt

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Próxima sessão, dia 31 Outubro 08: A Princesa Mononoke, de Hayao Miyazaki


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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Hoje, 6ªf, 17 Outubro: Cinemascópio - Ciclo Puxando os Fios da Trama: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou



Contamos com a vossa presença, amanhã! :)

Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Puxando os Fios da Trama


SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 17 OUTUBRO.2008 - 21H45

A Maldição da Flor Dourada
Man cheng jin dai huang jin jia
Curse of the Golden Flower

ENTRADA LIVRE

A Cadeira de Van Gogh - Associação Cultural

Rua de Morgado de Mateus, nº41

4000-334 Porto

(TOQUEM À CAMPAINHA, PF)





Próxima sessão, dia 24 Outubro 08: Scoop, de Woody Allen





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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cinemascópio: Ciclo Puxando os Fios da Trama - Próxima 6ªf, 17 Outubro: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou


Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos
Ciclo Puxando os Fios da Trama

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 17 OUTUBRO.2008 - 21H45

A Cadeira de Van Gogh - Associação Cultural
Rua de Morgado de Mateus, nº41
4000-334 Porto

(TOQUEM À CAMPAINHA, PF)
ENTRADA LIVRE

A Maldição da Flor Dourada
Man cheng jin dai huang jin jia
Curse of the Golden Flower

Realizador: Zhang Yimou
Com: Yun-Fat Chow, Li Gong, Jay Chou
Duração: 114 minutos, COR
Classificação: M/16
Género: Acção / Drama
País de Origem: China
Ano:2006

SINOPSE
"China, final da dinastia Tang, século X. Flores douradas ornamentam o palácio na véspera do Festival Chong Yang. O Imperador (Chow Yun Fat) regressa inesperadamente com o segundo filho, o príncipe Jai (Jay Chou), para celebrar as festividades com a família, apesar da tensão e da relação fria com a Imperatriz (Gong Li). Durante alguns anos, a Imperatriz manteve uma relação ilícita com o enteado, o príncipe Wan (Liu Ye), que por sua vez se sente prisioneiro e sonha fugir do palácio com a sua paixão secreta: Chan, a filha do médico imperial. Já Jai preocupa-se sobretudo com a saúde e com a obsessão da Imperatriz por crisântemos dourados. E, enquanto isso, o Imperador tem planos secretos que quase todos desconhecem. Durante as grandiosas e belíssimas festividades, negros segredos serão revelados, rebeliões insurgir-se-ão e o sangue manchará o dourado das flores. Entre o amor e o desejo, existirá um vencedor? "A Maldição da Flor Dourada" é o último filme de Zhang Yimou, o aclamado realizador chinês, autor de "O Segredo dos Punhais Voadores" e "Herói"."

http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=161761

“A Maldição da Flor Dourada
O conto dos crisântemos de sangue


Continua a detectar-se no universo "decorativista" de Zhang Yimou a sua formação como fotógrafo de cinema: "A Maldição da Flor Dourada" apresenta uma riqueza de cambiantes (todas as cores do arcoíris) e um cuidado tão extremado na iluminação de interiores que, por vezes, a luxuriante paisagem visual abafa a construção narrativa, sobrepondo-se aos requintes de "mise-en-scène" engendrados para o conflito shakespeariano de um imperador, dividido pelo amor aos seus três filhos, na corte da dinastia Tang, quando, no século X, o palácio Imperial atingia um luxo digno da Versalhes de Luís XIV. O filho segundo do Imperador, Jai, regressa da luta contra os Mongóis, para festejar com a família a festa dos crisântemos amarelos e encontra a imperatriz doente, submetida a uma medicação obrigatória e ritual, que a vai envenenando.
A estrutura operática, em que o cenário da Cidade Proibida joga um papel fundamental, confere ao filme um hieratismo quase ascético, entre o isolamento doentio da Imperatriz (espantosa Gong Li, próxima de um registo digno da tragédia grega, com a família dos Átridas e a trilogia de Esquilo, "A Oresteia", enquanto omnipresente referente) e a encenação precisa de golpes de artes marciais, tudo cronometrado por "travellings" vertiginosos e por um rigoroso uso dos efeitos especiais.
Como nos filmes mais recentes de Yimou, nomeadamente "Herói", assistimos a uma oscilação entre a epopeia histórica e o espectáculo exposto de um teatro de marionetas, em que a história serve, sobretudo, de pretexto para a ritualização. No entanto, o modo como se inserem os excursos, em especial o ataques dos "ninjas" da guarda negra do imperador (Chow Yun-fat pouco à vontade com uma personagem algo estereotipada e rígida), permite não só traçar rimas internas com a tradição do "kung fu", mas também apreender a vontade de instrumentalizar a tragédia para evocar filmes como "Ran" de Kurosawa, uma das matrizes já destrinçáveis em "Herói", num esplendor algo mórbido e letal. O uso obsessivo do grande plano nas cenas de interiores contrasta com os picados sobre o mar de crisântemos ou o sangue que os mancha depois da batalha final.
Embora contendo todas as contradições do cinema de Yimou, demasiado fascinado com o brilho da imagem para conseguir captar toda a intensidade trágica, "A Maldição da Flor Dourada" consegue um equilíbrio raro entre as suas componentes e incorpora um interessante olhar - quase a lembrar as extravagâncias bíblicas de De Mille - sobre o espectáculo da História em cinema.”

Mário Jorge Torres (PÚBLICO), http://cinecartaz.publico.clix.pt

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Próxima sessão, dia 24 Outubro 08: Scoop, de Woody Allen


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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Amanhã, 6ªf, 10 Outubro: Cinemascópio - Ciclo Puxando os Fios da Trama: Má Educação, de Pedro Almodóvar



Contamos com a vossa presença, amanhã! :)

Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Ciclo Puxando os Fios da Trama


SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 10 OUTUBRO.2008 - 21H45

Má Educação

La Mala Educacion

A Cadeira de Van Gogh - Associação Cultural

Rua de Morgado de Mateus, nº41

4000-334 Porto


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Próxima sessão, dia 17 Outubro 08: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou





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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cinemascópio: Ciclo Puxando os Fios da Trama - Próxima 6ªf, 10 Outubro: Má Educação, de Pedro Almodóvar


Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos
Ciclo Puxando os Fios da Trama

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 10 OUTUBRO.2008 - 21H45

A Cadeira de Van Gogh - Associação Cultural
Rua de Morgado de Mateus, nº41
4000-334 Porto
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Má Educação
La Mala Educacion

Realizador: Pedro Amodóvar
Música: Alberto Iglesias
Com: Gael García Bernal, Fele Martínez, Daniel Giménez Cacho, Lluís Homar, Francisco Maestre, Francisco Boira, Juan Fernández, Nacho Pérez

Duração: 105 minutos, COR
Classificação: M/16
Género: Crime / Drama / Thriller
País de Origem: Espanha
Ano:2004
SINOPSE
"Depois do êxito de Fala com Ela, Pedro Almodóvar regressa a realização com um novo projecto, Má Educação. Um filme que Almodóvar define como um "thriller fatalista".

Duas crianças, Ignacio e Enrique, descobriram o amor, o cinema e o medo num colégio religioso no início dos anos 60. O Padre Manolo, director do colégio e professor de literatura foi testemunha e parte principal desses descobrimentos.
As três personagens voltam a encontrar-se anos mais tarde em Madrid no início dos anos 80, quando a cidade respirava um novo ar de liberdade.
O reencontro vai ser traçado pela mentira onde a realidade e a ficção se vão misturar e irá marcar a vida e a morte de um deles.

"Má Educação é um filme muito íntimo, mas não exactamente autobiográfico… Naturalmente, as minhas recordações foram importantes na hora de escrever o guião. Não é um acerto de contas com os padres que mal me educaram nem com o clero em geral… É um filme negro, pelo menos assim gosto de o considerar", diz Pedro Almodóvar.”
www.cineteka.com
“ENTRE A REALIDADE E A FICÇÃO

"Má Educação" (2004) de Pedro Almodóvar

Depois da intensidade de "Tudo Sobre a Minha Mãe" e "Fala com Ela", Pedro Almodóvar aumenta as doses de negrume e obscuridade em "Má Educação" ("La Mála Educación"), distanciando-se da vertente calorosa e emotiva dessas elogiadas obras antecessoras.
Apostando em tons mais sinistros, o mais recente filme debruça-se sobre temas polémicos como a pedofilia, a prostituição ou a homossexualidade. É certo estas temáticas não são inéditas na obra do cineasta, mas raramente foram abordadas de forma tão soturna e arrepiante como em "Má Educação".

Herdando referências do "film noir", do policial ou do melodrama, a película centra-se na relação de dois amigos de infância, colegas de um colégio interno católico, que se reencontram mais tarde, na idade adulta, no início dos anos 80. Enrique é agora realizador de cinema e Ignacio um actor principiante à procura de uma oportunidade para brilhar. Quando os dois jovens se reencontram, estão lançadas as pistas para uma intrincada história marcada pela mentira, traição, morte, amor e vingança, onde o presente e o passado mantêm uma interligação incontornável.

Almodóvar proporciona um denso olhar sobre os podres da Igreja Católica, nomeadamente sobre as assombrosas atmosferas dos colégios internos e das ambivalentes relações entre os padres e as crianças. É sabido que o cineasta passou a infância nestas instituições, mas desconhece-se até que ponto o argumento de "Má Educação" é auto-biográfico.
Através de "flashbacks", o filme apresenta uma perspectiva sobre os laços de confiança dos dois amigos na infância, expondo também a descoberta da paixão de ambos pelo cinema e os primeiros contactos com o despertar da sexualidade.
Com uma estrutura narrativa complexa e criativa, "Má Educação" funde as esferas da realidade e da ficção, tornando-se num desafio constante para o espectador e obrigando-o a reavaliar e questionar os acontecimentos decorridos.

Ao contrário de grande parte dos filmes de Almodóvar, aqui não se efectua um mergulho no universo feminino, antes se expõem as tensões e antagonismos de um conjunto de personagens masculinas. O carácter trágico e a densidade dramática, no entanto, mantêm-se, através de uma teia de intrigas vincada pelo desejo, ambição, pecado e obsessão. As atmosferas são, por isso, carregadas de negrume, e raramente há espaço para o despontar do amor num filme que aborda a perversidade humana. A espaços, verificam-se alguns momentos de humor, mas "Má Educação" privilegia a melancolia e o desencanto.

Para além da espessura dramática, a película impressiona também pelo rigor técnico e formal, onde a realização e banda-sonora voltam a marcar pontos e a reconstituição de Madrid dos anos 80 exibe competência. A direcção de actores é igualmente profícua, da qual se destaca a credibilidade do duo protagonista constituído por Fele Martínez (Enrique) e, sobretudo, Gael Garcia Bernal (Ignacio). Bernal, um dos mais promissores actores latinos de hoje - como "Amor Cão", "E a Tua Mãe Também" ou "Diários de Che Guevara" podem atestar - , oferece aqui os seus melhores desempenhos e confirma a sua versatilidade (a "femme - ou homme? - fatale" que compõe é uma das mais impressionantes interpretações do ano).

Talvez menos acessível e imediata do que algumas das suas obras anteriores, "Má Educação" é uma experiência cinematográfica que volta a demonstrar a vitalidade criativa de Almodóvar e um estilo que - goste-se ou não - é singular, característico e pessoal.”
Gonçalo Sá - http://forum.emcena.com


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Próxima sessão, dia 17 Outubro 08: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou


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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Amanhã, 6ªf, 3 Outubro: Cinemascópio - Ciclo Puxando os Fios da Trama: Vertigo, de Alfred Hitchcock



Contamos com a vossa presença, amanhã! :)

Próxima sessão, dia 10 Outubro 08: Má Educação, de Pedro Almodóvar

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Cinemascópio: Ciclo Puxando os Fios da Trama - Próxima 6ªf, 3 Outubro: Vertigo, de Alfred Hitchcock



Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos
Ciclo Puxando os Fios da Trama

SESSÃO DE SEXTA-FEIRA 03 OUTUBRO.2008 - 21H45

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Rua de Morgado de Mateus, nº41
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A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES
Vertigo


Realizador: Alfred Hitchcock
Música: Bernard Hermann
Com: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Henry Jones, Raymond Bailey, Ellen Corby, Konstantin Shayne, Lee Patrick

Duração: 129 minutos, COR
Classificação: M/12
Género: Mistério/Thriller
País de Origem: EUA
Ano:1958


SINOPSE

“Após um acidente durante uma perseguição, que resulta na morte de um agente da polícia, o detective John Ferguson (Stewart) ganha um forte medo das alturas que o impossibilita de continuar a exercer as suas funções. No final da sua recuperação física, mas possivelmente longe da recuperação emocional, Ferguson é contactado por um amigo que não via há vários anos, Gavin Elster (Helmore), para seguir a sua esposa Madeleine (Novak), assolada por tendências suicidas e com fixação numa mulher que viveu no século passado. Adaptado de "D'Entre les Morts", escrito a pensar em Hitchcock por Pierre Boileau e Thomas Narcejac, autores de "Diabolic", que o realizador lamentou não ter podido adaptar.
Convém ser o mais vago possível na elaboração de uma sinopse de «Vertigo», num capítulo onde já o título português se pode considerar algo inconveniente. Exige-se que não se antecipem as revelações plantadas de acordo com a estrutura concebida por Hitchcock, numa das marcantes inovações apresentadas nesta obra, onde decide revelar à audiência toda a trama antes do personagem central, torturando-o até ao fim do filme, sob o nosso olhar de cumplicidade. Estreado em 1958 e não exibido, por questões legais, durante trinta anos, esta obra-prima voltou às salas em 1996 numa magnífica cópia restaurada.
O personagem de James Stewart é vítima do seu fascínio por uma mulher assombrada por um fantasma, e que pode ela mesma ser um fantasma. O seu amor cedo se transforma em obsessão, devido à acumulação de acontecimentos traumatizantes pelos quais não consegue deixar de sentir culpa, e que conduzem à procura desesperada por essa mulher que, à força, quer fabricar a partir de Judy Barton (Novak, novamente), numa divina sequência do mais simbólico erotismo, e que Hitchcock definiu como "striptease invertido", pois Ferguson aproxima-se da consumação dos seus desejos à medida que a veste e maquilha.
Sem dúvida mais próximo do "filme de fantasmas", iludindo com a inicial premissa de outro género cinematográfico, «Vertigo» brilha desde a fabulosa sequência do título de Saul Bass (falecido no ano do relançamento) sobre a penetrante música de Bernard Hermann, até ao último fotograma projectado. A sequência do sonho ou o plano com a câmara movendo-se 360º em redor do casal - fundindo dois cenários - e a arrojada utilização da cor, são elementos que dão uma força vital à atmosfera semi-surreal do filme.
À estrutura inovadora para a época, junta-se a concepção da técnica que nos permite partilhar a sensação de vertigem com 'Scottie', hoje vulgarmente usada - por vezes de forma gratuita e dispensável - em inúmeros filmes. O efeito do prolongamento vertiginoso do campo de visão obtém-se fazendo "zoom in" ou "out", contrariando essa direcção com o movimento da câmara. Para o movimento de "dolly out, zoom in" nas escadarias da missão, Hitchcock optou por utilizar uma maquette, uma vez que seria demasiado caro construir toda uma estrutura onde a câmara se pudesse movimentar.
Uma excelente oportunidade de rever um filme importantíssimo, verdadeiro marco cinematográfico, ou para o ver pela primeira vez numa cópia que lhe faz justiça. “
www.cinedie.com

A Mulher que Viveu Duas Vezes
“ Uma obsessão vertiginosa
Envolvido pela espiral da vertigem, o espectador é novamente, em A Mulher que Viveu Duas Vezes, o voyeur privilegiado, ao acompanhar o desespero de um homem apaixonado por uma mulher irreal. James Stewart e Kim Novak são os protagonistas de uma intriga psicológica e complexa, conduzida pelo olhar de Alfred Hitchcock.
Um thriller ou um romance obsessivo? Vertigo/A Mulher que Viveu Duas Vezes (1957) não se define facilmente. Hoje é considerado pela crítica e pelo público a “obra-prima absoluta” de Alfred Hitchcock, mas este complexo filme não foi recebido como tal na sua estreia, no final da década de 60, e Hitchcock ressentiu-se com o seu fracasso. Contudo, o tempo engrandeceu a história do ex-polícia que sofre de vertigens e se apaixona por um fantasma. O realizador Martin Scorsese testemunha-o quando, no documentário Obsessed with Vertigo (…), afirma que, “ao longo dos anos”, o filme exerce uma crescente atracção, “como se fosse um remoinho de obsessão”.
Baseado num romance dos escritores franceses Boileau e Narcejac, o 45.º filme de Alfred Hitchcock intitulava-se, inicialmente, From Amongst the Dead, tradução literal do título do livro. No entanto, a Paramount recusou o título e, assim, surgiu Vertigo, ou seja, “vertigem”, que o dicionário apresenta como sinónimo de “uma sensação de tontura… sentir a cabeça a nadar… no sentido figurativo, um estado em que tudo parece ser engolido por um remoinho de terror”. Mas como traduzir este estado mental e psicológico para o grande ecrã? A resposta do realizador foi uma técnica inovadora que combina zooms para a frente e travellings para trás e permite ao espectador experienciar a angústia da vertigem, ao distorcer a imagem da realidade.
A espiral da vertigem envolve o público desde os primeiros segundos do filme, devido ao genérico abstracto de Saul Bass e à música inspirada em Wagner e Mozart do compositor Bernard Hermann. E é reforçada continuamente pelas imagens do filme, como o caracol no penteado de Madeleine/Carlotta ou as formas circulares no tronco da árvore centenária. Em simultâneo, a intriga constrói uma espiral do tempo, na qual a enigmática Madeleine (Kim Novak) parece mergulhar, arrastando Scottie (James Stewart) atrás de si.
A Mulher que Viveu Duas Vezes foi o quarto e último filme em que Hitchcock e James Stewart colaboraram. Nele, Stewart transforma-se em John Scottie Ferguson, um ex-polícia que é confrontado com uma fobia incurável (o medo das alturas) e, quase ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente por uma mulher. Mas essa paixão revela-se impossível (a amada morre) e torna-se numa obsessão necrófila.
“James Stewart estava apaixonado por um sonho, por uma mulher que nunca existiu”, explicou Kim Novak, numa entrevista em 1981. Referia-se a Madeleine, a personagem que interpreta e que é um reflexo de um fantasma, Carlotta Valdes, cujo destino fatídico parece repetir-se na vida da sua descendente. Quando Madeleine desaparece, Novak reaparece como Judy, uma mulher menos irreal e cativante. Contudo, quando Scottie a vê, percebe de imediato a semelhança de ambas e não resiste à tentação de transformá-la em Madeleine, tal como o próprio Hitchcock fazia com as suas actrizes belas e loiras.
Na verdade, Kim Novak não foi a primeira escolha do realizador para interpretar a dupla Madeleine/Judy. O papel foi pensado para outra loira, Vera Miles, que Hitchcock queria tornar célebre graças a este filme, mas a actriz engravidou e não pôde integrar o elenco. Novak surgiu como alternativa mas o seu trabalho não agradou completamente ao realizador, para quem a actriz tinha demasiadas ideias fixas. Por isso, divertiu-se com o facto de atirá-la várias vezes à água enquanto filmava a cena da tentativa de afogamento.
A Mulher que Viveu Duas Vezes encontra-se no limiar entre o real e o universo onírico. Daí que a luminosidade desempenhe, paralelamente às imagens criadas por Bass e à música composta por Hermann, uma função crucial no filme – quando a imagem fica escura ou desfocada, os personagens são envolvidos pelo passado e pelos seus fantasmas. Esta técnica prende o espectador, mais uma vez voyeur, à intriga e permite a identificação com os sentimentos do protagonista. E o que começa como um thriller psicológico, termina como uma trágica história de amor.

Ana Filipa Gaspar
“Toda a gente que admira A Mulher que Viveu Duas Vezes gosta de Kim Novak nesse filme. Não se vê todos os dias uma estrela americana tão carnal na tela. Quando a voltamos a encontrar na rua, no papel de Judy (…), tem um efeito muito animal devido à maquilhagem e talvez também porque debaixo da sua camisola de malha não usa soutien.”
François Truffaut, realizador e argumentista”
- http://static.publico.clix.pt/coleccoes/hitchcock/03_mulher.asp




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Próxima sessão, dia 10 Outubro 08: Má Educação, de Pedro Almodovar

Cinemascópio: Novo Ciclo Temático já na próxima 6ª feira – Puxando os Fios da Trama





Caros Amigos,

Na próxima 6ª feira, dia 3 de Outubro, o Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos inicia um novo Ciclo, Puxando os Fios da Trama.

Será então esta a programação para o mês de Outubro:

Cinemascópio - Ciclos de Cinema Temáticos

Puxando os Fios da Trama

3/10: Vertigo, de Alfred Hitchcock

10/10: Má Educação, de Pedro Almodovar

17/10: A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou

24/10: Scoop, de Woody Allen


Esperamos por vós n'
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Paul Newman 2

Para mim será sempre Eddie Felson, malabarista vaidoso do bilhar. Herói ingénuo, brilhante e amargurado.
Vi vezes sem conta, em madrugadas ociosas, aqueles salões na penumbra e aquele sorriso de desafio:
"How can I lose?"

domingo, 28 de setembro de 2008

Paul Newman



27/09/08

"estou deitado sobre a minha ausência,
como poderia estar deitado se existisse.
amanhã as ondas imitar-me- ão na praia"
-José Luís Peixoto